CHECAGEM ESTATÍSTICAMERCADO DA VERDADE
✓ Checagem de método, não de partido

O dado é real.
O contexto foi cortado.

Este site confere, número por número, a peça de propaganda eleitoral sobre custo de vida publicada em mercadodamentira.com.br ↗.

A conclusão, depois de checar cada seção: eles não inventaram dados. Fizeram algo mais difícil de perceber — escolheram uma régua que começa e termina nos pontos certos para produzir a conclusão desejada. Aqui a gente recoloca o que foi cortado, com a mesma fonte oficial.

109
dos 112 produtos do site deles ainda estão mais caros que em jan/2019
14,9%
o pico do desemprego foi no 1º tri de 2021, no auge da pandemia
159,7
o índice global de alimentos da FAO bateu recorde em mar/2022
3 de 6
comparações da tabela deles se sustentam — e nós confirmamos
O flagra da régua

Os dois períodos não são comparáveis.

O site original compara jan/2019 a jul/2022 com jan/2023 a jul/2026. Parece simétrico: três anos e meio de cada lado. Mas veja o que caiu dentro de cada janela — usando um índice global, que nenhum presidente brasileiro comanda.

ÍNDICE DE PREÇOS DE ALIMENTOS DA FAO/ONU · média anual · base 2014-2016 = 100
JANELA "BOLSONARO" DO SITEJANELA "LULA" DO SITE9011013015095.1201998.12020125.72021143.72022124.02023122.02024127.22025133.32026*COVID-19GUERRA NAUCRÂNIA

* 2026: valor de agosto (133,3), o mais alto desde o fim de 2022. Pico mensal absoluto da série: 159,7 pontos em março de 2022.

A narrativa

"Três anos e meio de cada governo, lado a lado."

A simetria do calendário é apresentada como se fosse simetria de condições. Mesmo número de meses, mesma fonte, mesmo índice — logo, o que sobra seria mérito ou culpa de gestão.

O contexto exato

Uma janela pega a subida global inteira. A outra pega a descida.

A janela "Bolsonaro" começa em 95 pontos e termina exatamente no pico histórico do índice global de alimentos: a pandemia, o colapso logístico e a guerra na Ucrânia estão todos dentro dela.

A janela "Lula" começa logo depois desse pico e apanha a normalização das cadeias globais. Boa parte da diferença já estava dada antes de qualquer decisão tomada em Brasília.

Veredito

Os números estão certos. A atribuição de causa é que não se sustenta: o mesmo padrão de alta e queda aparece no mundo inteiro, inclusive em países cujos governos não mudaram.

Fontes: FAO — Índice de Preços de Alimentos (séries mensais e anuais, base 2014-2016=100); FAO, comunicado de março de 2022 sobre o recorde de 159,7 pontos; FAO, comunicado de setembro de 2026.

Bloco 1 · Inflação de alimentos

A comida subiu no mundo inteiro — e depois cedeu no mundo inteiro.

O site abre com o número mais forte da peça: 13,2% de inflação de alimentos ao ano na janela anterior contra 3,0% ao ano na atual. "Quatro vezes mais cara." O dado do IPCA está correto. A pergunta que ele não responde é: quatro vezes mais cara por causa de quem?

A narrativa

"A comida subiu 4x mais no governo Bolsonaro."

Alimentação no domicílio, IPCA/IBGE Tabela 7060, três anos e meio de cada governo. 54,24% contra 13,66% no acumulado.

O contexto exato

Três choques externos couberam inteiros na primeira janela.

1. Pandemia e colapso logístico (2020-2021). Frete marítimo multiplicado, quebra de cadeias de suprimento e demanda represada empurraram alimentos no mundo todo.

2. Guerra na Ucrânia (fev/2022). Rússia e Ucrânia respondiam por cerca de 27% das exportações mundiais de trigo e mais da metade do óleo de girassol. O índice global da FAO bateu o recorde de toda a série em março de 2022.

3. Fertilizantes. O Brasil importa a maior parte do que usa, e Rússia e Belarus são fornecedores centrais. As sanções encareceram o insumo — e o insumo entra no preço da safra seguinte.

+51%
o índice global de alimentos da FAO subiu de 95,1 (2019) a 143,7 (2022) — sem nenhum governo brasileiro no comando
−15%
e recuou de 143,7 (2022) para 122,0 (2024), a maré que a segunda janela pegou a favor
133,3
e voltou a subir: agosto de 2026, o nível mais alto desde o fim de 2022
Veredito

Enganoso por omissão de causa. A diferença entre as duas janelas é em grande parte a diferença entre estar na subida e estar na descida de um ciclo global de commodities. E, como o índice da FAO voltou a subir em 2026, a mesma métrica que hoje é usada como prova de competência pode virar prova de incompetência daqui a alguns meses — sem que nada tenha mudado em Brasília.

Fontes: IBGE/IPCA (Tabela 7060, alimentação no domicílio); FAO — Índice de Preços de Alimentos; FAO/ONU, comunicados de março de 2022 e de setembro de 2026.

Produto a produto

"Mais barato" não quer dizer barato.

Pegamos os 112 produtos da tabela do site original, com os números deles, sem mudar uma vírgula. E fizemos a única conta que faltava: encadear as duas janelas para saber onde o preço está hoje em relação a janeiro de 2019.

109 de 112
produtos continuam mais caros que em janeiro de 2019
37
produtos caíram durante a janela 2023-2026
34 desses 37
caíram, mas seguem acima do preço de 2019
3
produtos estão de fato abaixo do nível de 2019
ProdutoJanela 2019-2022Janela 2023-2026Preço hoje vs. jan/2019
Manga+105,6%+104,6%+320,7%
Repolho+101,4%+57,2%+216,6%
Melancia+117,1%+29,7%+181,6%
Leite longa vida+130,5%+19,4%+175,2%
Feijão macáçar (fradinho)+149,0%+9,9%+173,7%
Feijão carioca (rajado)+130,9%+12,9%+160,7%
Alface+85,1%+40,1%+159,3%
Café moído+72,7%+48,7%+156,8%
Pimentão+113,7%+19,8%+156,0%
Óleo de soja+174,3%-14,2%+135,3%
Mamão+117,5%+6,2%+131,0%
Mandioca (aipim)+90,9%+12,6%+115,0%
Couve+51,1%+38,7%+109,6%
Brócolis+53,4%+35,8%+108,3%
Carnes+73,7%+17,0%+103,2%
Curimatã+67,0%+21,2%+102,4%
Banana-da-terra+60,1%+25,9%+101,6%
Cheiro-verde+42,4%+41,3%+101,2%
Feijão mulatinho+73,4%+12,4%+94,9%
Batata-inglesa+64,0%+15,2%+88,9%
Gasolina+39,9%+31,4%+83,8%
Combustível+44,6%+26,9%+83,5%
Banana prata+67,4%+8,5%+81,6%
Alho+62,0%+11,2%+80,1%
Sorvete+45,4%+23,6%+79,7%
Carne-seca e de sol+48,6%+20,1%+78,5%
Frango em pedaços+76,5%+0,9%+78,1%
Banana d'água+67,5%+5,4%+76,5%
Gás encanado+65,8%+5,8%+75,4%
Ovo de galinha+63,3%+5,7%+72,6%
Açúcar refinado+83,0%-6,0%+72,0%
Gás de botijão+62,3%+5,1%+70,6%
Iogurte e bebidas lácteas+34,1%+26,3%+69,4%
Leite de coco+36,2%+22,7%+67,1%
Carne de porco+51,8%+8,1%+64,1%
Sardinha em conserva+46,5%+11,9%+63,9%
Açúcar cristal+86,2%-12,1%+63,7%
Fígado+67,0%-2,0%+63,7%
Café solúvel+32,9%+23,2%+63,7%
Frango inteiro+62,7%+0,4%+63,4%
Margarina+59,1%+2,2%+62,6%
Pepino em conserva+45,5%+11,7%+62,5%
Milho-verde em conserva+65,6%-2,2%+62,0%
Salsicha em conserva+55,1%+3,9%+61,1%
Queijo+44,7%+10,0%+59,2%
Pão de queijo+30,7%+20,7%+57,8%
Pera+44,7%+6,8%+54,5%
Maionese+41,0%+9,5%+54,4%
Uva+27,2%+21,1%+54,0%
Pão de forma+37,0%+12,2%+53,7%
Pão francês+30,8%+17,1%+53,2%
Pão doce+25,7%+21,0%+52,1%
Cavala+52,6%-0,9%+51,2%
Leite em pó+38,4%+8,3%+49,9%
Azeite de oliva+22,3%+22,3%+49,6%
Cimento+29,2%+14,8%+48,3%
Pneu+65,1%-10,4%+47,9%
Detergente+36,5%+8,2%+47,7%
Arroz+50,5%-1,9%+47,6%
Bolo+24,5%+17,1%+45,8%
Biscoito+35,0%+7,8%+45,5%
Farinha de trigo+72,2%-16,0%+44,6%
Sal+30,4%+9,3%+42,5%
Automóvel novo+29,0%+9,9%+41,8%
Cebola+72,1%-17,7%+41,6%
Maçã+42,2%-0,9%+40,9%
Linguiça+40,6%-0,7%+39,6%
Feijão preto+45,9%-4,5%+39,3%
Ar-condicionado+29,3%+7,5%+39,0%
Colchão+35,3%+1,3%+37,1%
Manteiga+33,7%+2,2%+36,6%
Tainha+47,3%-7,5%+36,3%
Leite condensado+40,1%-3,2%+35,6%
Inhame+26,3%+7,1%+35,3%
Salsicha+37,0%-1,3%+35,2%
Macarrão+37,6%-2,8%+33,7%
Maracujá+36,4%-2,1%+33,5%
Carne de carneiro+23,3%+8,3%+33,5%
Presunto+28,8%+3,3%+33,1%
Tilápia+20,2%+8,8%+30,8%
Computador+21,3%+7,2%+30,0%
Bicicleta+35,2%-4,4%+29,3%
Sabão em pó+31,1%-1,4%+29,3%
Fubá de milho+48,4%-13,2%+28,8%
Tambaqui+18,7%+7,3%+27,4%
Refrigerador+42,6%-10,7%+27,3%
Ventilador+25,5%-0,3%+25,1%
Flocos de milho+17,7%+6,3%+25,1%
Máquina de lavar+30,2%-4,8%+24,0%
Mortadela+23,9%-0,2%+23,7%
Banana maçã+28,2%-3,7%+23,5%
Farinha de mandioca+18,5%+4,2%+23,5%
Brinquedo+16,0%+6,1%+23,1%
Sabão em barra+29,3%-5,4%+22,3%
Salame+34,4%-9,1%+22,2%
Fogão+29,9%-6,3%+21,7%
Goiaba+11,1%+9,2%+21,3%
Salmão+14,5%+4,7%+19,9%
Corvina+9,2%+7,4%+17,3%
Sardinha+10,2%+3,5%+14,1%
Automóvel usado+22,8%-8,3%+12,6%
Merluza+17,2%-4,4%+12,0%
Serra+6,0%+1,4%+7,5%
Pescada+6,5%+0,8%+7,4%
Camarão+3,5%+2,5%+6,1%
Dourada+4,3%+0,4%+4,7%
Televisor+16,2%-10,8%+3,7%
Tomate+6,3%-2,8%+3,3%
Doce de frutas em pasta+32,9%-22,3%+3,3%
Celular+7,9%-10,8%-3,8%
Laranja baía+16,6%-21,8%-8,8%
Abacate-21,8%-26,9%-42,8%
Veredito

O óleo de soja aparece como "mais barato com Lula" (−14,2%). Verdade — e ainda assim ele custa 135% a mais que em 2019. O arroz caiu 1,9% e segue 47,6% acima. Uma queda depois de uma disparada não devolve o preço: devolve uma fração dele. É por isso que o gráfico melhora e a sensação no caixa do mercado não acompanha.

Cálculo: nível de preço acumulado = ((1 + variação da 1ª janela) × (1 + variação da 2ª janela) − 1). Variações extraídas da seção "Produto por produto" de mercadodamentira.com.br (set/2026), que cita IPCA/IBGE. Ao encadear períodos consecutivos, os índices se multiplicam — não se somam.

Bloco 2 · A métrica do desemprego

O pico de 14,9% não é o ponto de partida de ninguém.

O comparativo do site coloca "14%+" na coluna do governo anterior e 5,4% na atual. Mas 14,9% não foi como o governo anterior começou nem como terminou: foi o auge da pandemia, no 1º trimestre de 2021.

TAXA DE DESOCUPAÇÃO · PNAD CONTÍNUA TRIMESTRAL / IBGE · em % da força de trabalho
6%8%10%12%14%TROCA DE GOVERNOPANDEMIA / LOCKDOWNS12,7%1ºT/1911,0%4ºT/1914,9%1ºT/217,9%4ºT/227,4%4ºT/236,2%4ºT/245,4%jun/26PICO DA SÉRIE
A narrativa

"Desemprego recorde de 14%+ contra 5,4%, o menor da história."

A tabela do site coloca o pior número já registrado de um lado e o melhor do outro, como se fossem os saldos de cada gestão.

O contexto exato

Compare começo com começo e fim com fim.

O governo anterior recebeu 12,7% (1ºT/2019) e entregou 7,9% (4ºT/2022): queda de 4,8 pontos, atravessando a pandemia no meio.

O governo atual recebeu 7,9% e chegou a 5,4% (jun/2026): queda de 2,5 pontos — um resultado real e o melhor da série, mas obtido a partir de uma herança já em queda.

O 14,9% pertence ao 1º trimestre de 2021 — um trimestre de lockdown, não um balanço de gestão.

Veredito

O 5,4% é verdadeiro e é o menor da série histórica. O que é falso é o contraste: usar o pico da pandemia como "o número do adversário" transfere para a gestão o custo de um choque sanitário global.

Fontes: IBGE/PNAD Contínua trimestral — 1ºT/2019 (12,7%), 4ºT/2019 (11,0%), 1ºT/2021 (14,9%, máximo da série iniciada em 2012), 4ºT/2022 (7,9%), 4ºT/2023 (7,4%), 4ºT/2024 (6,2%) e trimestre encerrado em junho/2026 (5,4%).

Linha a linha

O comparativo deles, auditado.

Pegamos a tabela "o comparativo que resume tudo" e conferimos cada linha. Três das seis se sustentam sem ressalva — e a gente diz isso com todas as letras. As outras três dependem de um contexto que foi deixado de fora.

Comida no mercado

Correto, sem contexto
Coluna "Bolsonaro": +54,24%Coluna "Lula": +13,66%

Os dois números batem com o IPCA. O que a tabela não diz é que a primeira janela contém a pandemia, o colapso logístico e a guerra na Ucrânia, e termina no recorde histórico do índice global de alimentos. Além disso, o preço de hoje é o resultado das duas janelas somadas: a comida acumula alta nas duas.

Desemprego

Enganoso
Coluna "Bolsonaro": 14%+Coluna "Lula": 5,4%

Compara o pico da série (14,9% no 1ºT/2021, auge dos lockdowns) com o valor atual. O governo anterior recebeu 12,7% e entregou 7,9%; o atual recebeu 7,9% e chegou a 5,4%. O 5,4% é real e é o menor da série — o pico de 14,9% é que não é o saldo de ninguém.

Renda média

Correto, sem contexto
Coluna "Bolsonaro": −R$ 33Coluna "Lula": +R$ 476

A renda real de fato caiu até 2021 e se recuperou depois — hoje está no maior nível da série (R$ 3.652 no trimestre até jan/2026). Mas a queda coincide com a destruição de postos na pandemia e a alta parte de uma base deprimida. Uma parcela da recuperação é retomada do terreno perdido, não terreno novo.

Imposto de renda

Correto
Coluna "Bolsonaro": 4 anos de tabela congeladaColuna "Lula": Isenção até R$ 5 mil

Confere. A tabela do IRPF não foi corrigida entre 2019 e 2022, e a Lei 15.270/2025 ampliou a isenção para quem ganha até R$ 5 mil, em vigor desde janeiro de 2026, com cerca de 15 milhões de beneficiados. Ressalva honesta de contexto: o congelamento da tabela começou em 2015, antes do governo anterior.

Salário mínimo

Correto
Coluna "Bolsonaro": R$ 1.212 (2022)Coluna "Lula": R$ 1.621 (2026)

Os valores estão corretos. A comparação é nominal, mas neste caso o ganho real também existe: a Lei 14.663/2023 restabeleceu a política de valorização (INPC + PIB de dois anos antes), e o reajuste de 2026 trouxe ganho acima da inflação.

Poder de compra do mínimo

Correto
Coluna "Bolsonaro": +R$ 214Coluna "Lula": +R$ 409

É a mesma política de valorização medida em ganho real acumulado. Diferença de método, não de contexto externo: aqui a comparação mede uma escolha de política pública, que é exatamente o que uma comparação entre governos deveria medir.

Veredito

A peça não fabrica números — ela seleciona a régua. Onde a comparação mede uma escolha de política pública (imposto de renda, salário mínimo), ela é legítima e nós a confirmamos. Onde ela mede um ciclo global (comida, desemprego, renda), atribuir o resultado à gestão é o erro.

Fontes: IBGE (IPCA Tabela 7060, PNAD Contínua); Lei 15.270/2025 (isenção do IRPF até R$ 5 mil, vigência jan/2026); Lei 14.663/2023 (política de valorização do salário mínimo); Senado Federal e Ministério da Fazenda.

Bloco 3 · A escala 6x1

Uma proposta em votação não é uma entrega.

Aqui é preciso ser justo: o card do site original diz, com todas as letras, "proposta em debate no Congresso". O problema não está no texto do card — está em onde ele foi colocado: dentro da seção intitulada "O que o Lula fez", ao lado de medidas que de fato já estão em vigor.

A narrativa

"Fim da escala 6x1" na lista do que já foi feito.

O card aparece entre a isenção do imposto de renda (lei em vigor), o Desenrola e a queda da pobreza. A leitura rápida — que é como quase todo mundo lê um site — registra tudo como entregue.

O contexto exato

Falta a etapa mais difícil: dois turnos no Plenário do Senado.

A PEC 221/2019 (com a PEC 8/2025 apensada) avançou de verdade em 2026 e está mais perto do que nunca. Mas precisa de 49 votos em dois turnos no Senado, e a votação em Plenário ainda não tem data, com a oposição obstruindo.

Até que isso aconteça, a escala 6x1 segue legal e valendo para quem trabalha sob ela hoje.

  1. Admissibilidade na CCJ da Câmara22 de abril de 2026
  2. Aprovada na Câmara em 2 turnos27 de maio de 2026
  3. Chega ao Senado28 de maio de 2026
  4. Aprovada na CCJ do Senado2 de setembro de 2026
  5. Plenário do Senado — 1º turno (49 votos)sem data marcada
  6. Plenário do Senado — 2º turno (49 votos)não ocorreu
  7. Promulgação — vira regra constitucionalnão ocorreu
Veredito

Promessa em andamento apresentada no lugar de entrega. O avanço é real e recente — e vender futuro como presente é justamente o que corrói a confiança quando a votação emperra.

Fontes: Senado Federal — PEC 221/2019 (aprovação na CCJ em 02/09/2026 e envio ao Plenário); Câmara dos Deputados — aprovação em dois turnos em 27/05/2026; Agência Brasil, setembro de 2026. Situação verificada em 9 de setembro de 2026.

Bloco 4 · A credibilidade do IBGE

O erro não está na planilha. E o problema do IBGE também é real.

Circula nas redes que o IBGE estaria fraudando os números. Circula na propaganda que questionar o IBGE é golpismo. As duas coisas são simplificações — e as duas atrapalham quem quer entender o que está acontecendo.

O que NÃO se sustenta

"Os números são inventados."

Não há qualquer evidência de manipulação do IPCA ou da PNAD. São pesquisas com metodologia pública, microdados abertos, amostra auditável e execução por servidores de carreira. Qualquer pesquisador pode recalcular os índices a partir dos microdados — e isso é feito rotineiramente por universidades, bancos e institutos independentes, que chegam aos mesmos resultados.

A reponderação da PNAD Contínua em 2025, feita para incorporar o Censo 2022, é um procedimento técnico padrão, anunciado com antecedência e aplicado retroativamente a toda a série — inclusive aos anos do governo anterior. Ela não cria melhora artificial: recalibra o passado e o presente com a mesma régua.

E os pesos do IPCA seguem os da POF anterior: a atualização com a nova pesquisa de orçamentos familiares só deve valer a partir de 2027. Ou seja, o índice usado nessa comparação não foi alterado por este governo.

O que É preocupante

A blindagem institucional se desgastou — e isso é documentado.

Em 19 de janeiro de 2026, Rebeca Palis, coordenadora responsável pelo cálculo do PIB, foi exonerada. Pelo menos três integrantes da equipe deixaram cargos de confiança em solidariedade.

Em fevereiro e março de 2026, o Ministério Público junto ao TCU pediu o afastamento do presidente do IBGE, Márcio Pochmann, alegando risco de uso político dos dados do PIB em ano eleitoral e preocupação com mudanças em metodologias de coleta e tratamento.

Nada disso demonstra que um número tenha sido falsificado. Demonstra que as salvaguardas que tornam a falsificação difícil ficaram mais frágeis — e isso é motivo legítimo de vigilância, não de pânico.

Veredito

Acusar o IBGE de fraude é injusto com quem produz os dados e desvia a atenção do problema de verdade. O dado é confiável; a régua aplicada sobre ele na propaganda é que é escolhida. Ao mesmo tempo, a crise de governança do instituto é real e merece acompanhamento — inclusive porque a melhor defesa dos números é a autonomia de quem os calcula.

Fontes: IBGE — nota técnica sobre a reponderação da PNAD Contínua em 2025 e Projeções da População pós-Censo 2022; IBGE/POF sobre a atualização dos pesos do IPCA; Correio Braziliense e Gazeta do Povo (março de 2026) sobre a representação do MP junto ao TCU e as exonerações na diretoria de contas nacionais.

Honestidade nos dois sentidos

O que a propaganda acerta — e o que ninguém está te contando.

Um site de checagem que só encontra erros do outro lado não é checagem, é propaganda com outro nome. Então vamos ser explícitos sobre o que se confirma.

✓ O que se confirma

5,4% é o menor desemprego da sérieO recorde da PNAD Contínua, iniciada em 2012, é real. Não há truque no número em si.
A informalidade está caindo37,5% no trimestre até jan/2026, o menor patamar desde julho de 2020. O contra-argumento de que 'os empregos são todos informais' não se sustenta nos dados.
A renda média está no maior nível da sérieR$ 3.652 de rendimento real habitual, +5,4% em um ano. É recorde de fato.
A isenção do IR até R$ 5 mil está em vigorLei 15.270/2025, valendo na folha desde 1º de janeiro de 2026, com cerca de 15 milhões de beneficiados.
O salário mínimo teve ganho realA política de valorização foi restabelecida pela Lei 14.663/2023 e o mínimo de 2026 (R$ 1.621) subiu acima da inflação.
A subutilização caiu muito13,8% no trimestre até abril de 2026, contra mais de 30% no auge da pandemia. A melhora do mercado de trabalho é ampla, não um artefato de definição.

! O que fica de fora dos dois lados

O preço não voltou, só parou de correr109 dos 112 produtos da tabela deles seguem mais caros que em janeiro de 2019. Inflação baixa significa que o preço subiu devagar — não que ele desceu.
O café acumula +156% desde 2019E subiu 48,7% na janela atual, pelos números do próprio site. Alguns itens do dia a dia continuam pesando muito mais no orçamento.
A maré global virou de novoO índice de alimentos da FAO chegou a 133,3 pontos em agosto de 2026, o maior desde o fim de 2022. O vento de popa de 2023-2024 não é permanente.
O ciclo global explica os dois ladosA mesma lógica que isenta este governo da alta de 2021-2022 isenta o anterior. Quem usa o argumento do contexto precisa aplicá-lo nas duas direções.
O ponto

A melhora do mercado de trabalho é real e a desaceleração dos preços é real. O que não é real é a relação de causa que a peça constrói entre uma coisa e a outra, nem a ideia de que o preço da comida voltou ao que era. Dá para reconhecer o resultado sem comprar a explicação.

Fontes: IBGE/PNAD Contínua (desocupação, informalidade, subutilização e rendimento real, divulgações de 2026); Lei 15.270/2025; Lei 14.663/2023; FAO — Índice de Preços de Alimentos, agosto de 2026; e a própria base de produtos publicada em mercadodamentira.com.br.

Metodologia

Como a gente chegou nesses números.

Usamos os números deles

A tabela foi extraída da própria seção “Produto por produto” do site original, em setembro de 2026. Nenhuma variação foi alterada. Removemos apenas 4 rótulos repetidos (o mesmo item do IPCA aparecia com nome curto e nome completo), ficando 112 produtos. A única coluna nova é o acumulado.

Encadeamos, não somamos

Para saber onde o preço está hoje em relação a jan/2019, os dois períodos consecutivos se multiplicam: (1+a)×(1+b)−1. Somar as duas variações daria um número errado.

Comparamos começo com começo

Para desemprego e renda, usamos o valor do trimestre em que cada governo assumiu e do trimestre em que entregou — em vez do pior e do melhor ponto da série.

Testamos contra uma série global

O índice de alimentos da FAO funciona como controle: se o mesmo movimento aparece no mundo inteiro, ele não pode ser creditado nem debitado a um governo brasileiro.

Dizemos quando eles estão certos

Três das seis linhas do comparativo original se sustentam. Estão marcadas como corretas, com a fonte legal de cada uma.

Datamos tudo

Indicadores conjunturais mudam. Cada bloco traz a data de verificação, e a página informa a última atualização geral.

Fontes primárias

IBGE · IPCA (Tabela 7060)IBGE · PNAD ContínuaFAO · Índice de Preços de AlimentosSenado · PEC 221/2019Planalto · Lei 15.270/2025 (IRPF)Planalto · Lei 14.663/2023 (salário mínimo)